Tendinite ou tendinopatia: por que a dor não passa
Depois de algumas semanas o tendão deixa de estar inflamado e passa a estar desorganizado, o que muda o tratamento.
Tendinite significa tendão inflamado, e é o nome que quase todo mundo usa. O problema é que, depois de algumas semanas, a inflamação já passou e o tendão continua doendo. O que sobra não é inflamação: é um tecido desorganizado, e isso se chama tendinopatia. Entender essa diferença muda completamente o que funciona como tratamento.
Tendinite e tendinopatia não são a mesma coisa
O tendão é o cabo que liga o músculo ao osso. Quando ele recebe carga acima do que consegue suportar, entra em sofrimento. Nas primeiras semanas há de fato um componente inflamatório, e nessa fase o repouso relativo e o anti-inflamatório fazem sentido.
Se a sobrecarga continua, o quadro muda de natureza. As fibras de colágeno perdem o alinhamento, o tecido incha, aparecem vasos e terminações nervosas novas onde não deveria haver. Não existe mais inflamação clássica para combater, e é exatamente por isso que anti-inflamatório e repouso deixam de resolver.
| Aspecto | Fase aguda, primeiras semanas | Tendinopatia, meses depois |
|---|---|---|
| O que acontece no tecido | Reação inflamatória | Colágeno desorganizado e vasos novos |
| Papel do repouso | Ajuda a acalmar | Enfraquece mais do que trata |
| Anti-inflamatório | Pode aliviar por período curto | Pouco ou nenhum efeito na causa |
| O que o tecido precisa | Reduzir a carga | Carga progressiva e bem dosada |
| Tempo de resposta | Dias a poucas semanas | Três a seis meses de trabalho consistente |
Onde a tendinopatia mais aparece
- Ombro. Tendões do manguito rotador, sobretudo o supraespinal. É a queixa mais comum de todas.
- Cotovelo. Epicondilite lateral, o cotovelo de tenista, e a medial, o cotovelo de golfista.
- Joelho. Tendão patelar, típico de quem salta.
- Calcanhar. Tendão de Aquiles, no corredor e em quem passou muito tempo parado.
- Quadril. Tendões glúteos no trocânter, muitas vezes confundidos com bursite.
- Punho. Tenossinovite de De Quervain, comum no pós-parto e em quem digita muito.
Como reconhecer
O padrão da tendinopatia é bastante regular e ajuda no diagnóstico:
- Dor localizada exatamente sobre o tendão, que a pessoa aponta com um dedo.
- Rigidez ao começar a atividade, que melhora ao aquecer.
- Piora no dia seguinte a um esforço maior, e não durante o esforço.
- Dor quando o tendão é testado contra resistência.
- Ausência de vermelhidão e de calor local.
A dor que piora 24 horas depois é o dado mais útil de todos: é ela que permite dosar a carga do tratamento sem exames repetidos.
Por que exame de imagem engana
Ultrassom e ressonância mostram alterações em tendões de pessoas que não sentem absolutamente nada, principalmente depois dos 50 anos. Achar uma alteração no exame não prova que ela é a causa da dor, e tratar a imagem em vez do sintoma leva a condutas desnecessárias. O exame confirma, exclui outras causas e orienta, mas quem manda é o exame físico.
O que funciona no tratamento
Carga progressiva, que é o centro de tudo
O tendão se reorganiza sob estímulo mecânico. Exercícios de força bem dosados, feitos de forma progressiva ao longo de meses, são o tratamento com melhor evidência para tendinopatia, em qualquer localização. Não existe atalho que substitua essa parte.
A dose certa é aquela que provoca desconforto tolerável durante o exercício e não deixa o tendão pior no dia seguinte.
Ondas de choque
Quando a dor já é antiga e o exercício sozinho não avançou, a terapia por ondas de choque é o recurso com maior respaldo como complemento. Ela estimula a circulação local e a resposta de reparo do tecido, e é usada em conjunto com o programa de força, nunca no lugar dele. Costuma render melhor resultado nas tendinopatias calcificadas do ombro, na epicondilite e no tendão de Aquiles.
Corticoide: alívio rápido, custo tardio
A infiltração de corticoide alivia bastante nas primeiras semanas, e é por isso que ela é tão pedida. O que a literatura mostra é que, em vários tendões, o resultado a médio e longo prazo é pior do que o de quem fez apenas exercício. Ela tem indicação em situações específicas, principalmente para permitir que a reabilitação comece, mas repetir infiltrações no mesmo tendão não é uma boa estratégia. O tema aparece com mais detalhe no artigo sobre infiltração para dor.
Quando a dor deixou de ser só do tendão
Em quadros de anos, é comum que o sistema nervoso já esteja mantendo o sinal doloroso por conta própria, com sensibilidade aumentada em toda a região. Aí entram recursos que agem sobre o processamento da dor, como a acupuntura médica e a neuromodulação, para que o exercício volte a ser possível.
Perguntas frequentes sobre tendinite
Quanto tempo demora para uma tendinite sarar?
Um quadro agudo costuma ceder em duas a seis semanas. Uma tendinopatia já estabelecida exige, em geral, de três a seis meses de trabalho de força progressiva. É lento porque o tecido precisa se reconstruir, não apenas desinchar.
Repouso resolve tendinite?
Só na fase aguda, e mesmo assim de forma relativa. Repouso prolongado deixa o tendão mais fraco e menos tolerante à carga, e a dor volta assim que a atividade é retomada. O caminho é reduzir a carga temporariamente e reconstruir a capacidade do tecido.
Posso treinar com tendinopatia?
Sim, dentro de uma dose controlada. A referência prática é aceitar desconforto durante o exercício desde que o tendão não esteja pior no dia seguinte. Se estiver, a carga da sessão anterior foi alta demais e precisa ser reduzida.
Tendinite pode romper o tendão?
Um tendão com degeneração avançada tem risco maior de ruptura, mas isso é minoria. Fortalecer, dentro de um programa orientado, reduz esse risco. Repetidas infiltrações de corticoide no mesmo local, ao contrário, aumentam a preocupação.
Qual a diferença entre tendinite e bursite?
A tendinite afeta o tendão e a bursite afeta a bolsa que amortece a articulação. No ombro e no quadril as duas convivem com frequência, porque a bolsa fica bem ao lado do tendão e se irrita junto. O exame físico separa uma da outra.
Onde tratar tendinopatia em Goiânia
Dor no tendão que já passou de três meses raramente melhora com mais repouso. O Dr. Pedro Paulo Prudente atende tendinopatias no consultório do Setor Bueno, com residência em Medicina do Exercício e do Esporte pela UNIFESP-EPM. Veja também como é o tratamento da dor crônica no ombro, o local mais frequente desse tipo de quadro, ou conheça as lesões de sobrecarga em corredores no artigo sobre dor na canela.
CRM-GO 12744. Médico da dor em Goiânia, com residência em Medicina do Exercício e Esporte pela UNIFESP-EPM, título de especialista em Acupuntura e pós-graduação em Atuação em Dor. Integra a Câmara Técnica de Acupuntura do CREMEGO.


