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Dores Crônicas

Tendinite ou tendinopatia: por que a dor não passa

Depois de algumas semanas o tendão deixa de estar inflamado e passa a estar desorganizado, o que muda o tratamento.

Publicado em Leitura5 minutos Revisão médicaDr. Pedro Paulo Prudente, CRM-GO 12744
Halteres e faixa elástica sobre bancada de madeira em consultório

Tendinite significa tendão inflamado, e é o nome que quase todo mundo usa. O problema é que, depois de algumas semanas, a inflamação já passou e o tendão continua doendo. O que sobra não é inflamação: é um tecido desorganizado, e isso se chama tendinopatia. Entender essa diferença muda completamente o que funciona como tratamento.

Tendinite e tendinopatia não são a mesma coisa

O tendão é o cabo que liga o músculo ao osso. Quando ele recebe carga acima do que consegue suportar, entra em sofrimento. Nas primeiras semanas há de fato um componente inflamatório, e nessa fase o repouso relativo e o anti-inflamatório fazem sentido.

Se a sobrecarga continua, o quadro muda de natureza. As fibras de colágeno perdem o alinhamento, o tecido incha, aparecem vasos e terminações nervosas novas onde não deveria haver. Não existe mais inflamação clássica para combater, e é exatamente por isso que anti-inflamatório e repouso deixam de resolver.

O que muda quando a dor no tendão passa da fase aguda
Aspecto Fase aguda, primeiras semanas Tendinopatia, meses depois
O que acontece no tecido Reação inflamatória Colágeno desorganizado e vasos novos
Papel do repouso Ajuda a acalmar Enfraquece mais do que trata
Anti-inflamatório Pode aliviar por período curto Pouco ou nenhum efeito na causa
O que o tecido precisa Reduzir a carga Carga progressiva e bem dosada
Tempo de resposta Dias a poucas semanas Três a seis meses de trabalho consistente

Onde a tendinopatia mais aparece

  • Ombro. Tendões do manguito rotador, sobretudo o supraespinal. É a queixa mais comum de todas.
  • Cotovelo. Epicondilite lateral, o cotovelo de tenista, e a medial, o cotovelo de golfista.
  • Joelho. Tendão patelar, típico de quem salta.
  • Calcanhar. Tendão de Aquiles, no corredor e em quem passou muito tempo parado.
  • Quadril. Tendões glúteos no trocânter, muitas vezes confundidos com bursite.
  • Punho. Tenossinovite de De Quervain, comum no pós-parto e em quem digita muito.

Como reconhecer

O padrão da tendinopatia é bastante regular e ajuda no diagnóstico:

  1. Dor localizada exatamente sobre o tendão, que a pessoa aponta com um dedo.
  2. Rigidez ao começar a atividade, que melhora ao aquecer.
  3. Piora no dia seguinte a um esforço maior, e não durante o esforço.
  4. Dor quando o tendão é testado contra resistência.
  5. Ausência de vermelhidão e de calor local.

A dor que piora 24 horas depois é o dado mais útil de todos: é ela que permite dosar a carga do tratamento sem exames repetidos.

Por que exame de imagem engana

Ultrassom e ressonância mostram alterações em tendões de pessoas que não sentem absolutamente nada, principalmente depois dos 50 anos. Achar uma alteração no exame não prova que ela é a causa da dor, e tratar a imagem em vez do sintoma leva a condutas desnecessárias. O exame confirma, exclui outras causas e orienta, mas quem manda é o exame físico.

O que funciona no tratamento

Carga progressiva, que é o centro de tudo

O tendão se reorganiza sob estímulo mecânico. Exercícios de força bem dosados, feitos de forma progressiva ao longo de meses, são o tratamento com melhor evidência para tendinopatia, em qualquer localização. Não existe atalho que substitua essa parte.

A dose certa é aquela que provoca desconforto tolerável durante o exercício e não deixa o tendão pior no dia seguinte.

Ondas de choque

Quando a dor já é antiga e o exercício sozinho não avançou, a terapia por ondas de choque é o recurso com maior respaldo como complemento. Ela estimula a circulação local e a resposta de reparo do tecido, e é usada em conjunto com o programa de força, nunca no lugar dele. Costuma render melhor resultado nas tendinopatias calcificadas do ombro, na epicondilite e no tendão de Aquiles.

Corticoide: alívio rápido, custo tardio

A infiltração de corticoide alivia bastante nas primeiras semanas, e é por isso que ela é tão pedida. O que a literatura mostra é que, em vários tendões, o resultado a médio e longo prazo é pior do que o de quem fez apenas exercício. Ela tem indicação em situações específicas, principalmente para permitir que a reabilitação comece, mas repetir infiltrações no mesmo tendão não é uma boa estratégia. O tema aparece com mais detalhe no artigo sobre infiltração para dor.

Quando a dor deixou de ser só do tendão

Em quadros de anos, é comum que o sistema nervoso já esteja mantendo o sinal doloroso por conta própria, com sensibilidade aumentada em toda a região. Aí entram recursos que agem sobre o processamento da dor, como a acupuntura médica e a neuromodulação, para que o exercício volte a ser possível.

Perguntas frequentes sobre tendinite

Quanto tempo demora para uma tendinite sarar?

Um quadro agudo costuma ceder em duas a seis semanas. Uma tendinopatia já estabelecida exige, em geral, de três a seis meses de trabalho de força progressiva. É lento porque o tecido precisa se reconstruir, não apenas desinchar.

Repouso resolve tendinite?

Só na fase aguda, e mesmo assim de forma relativa. Repouso prolongado deixa o tendão mais fraco e menos tolerante à carga, e a dor volta assim que a atividade é retomada. O caminho é reduzir a carga temporariamente e reconstruir a capacidade do tecido.

Posso treinar com tendinopatia?

Sim, dentro de uma dose controlada. A referência prática é aceitar desconforto durante o exercício desde que o tendão não esteja pior no dia seguinte. Se estiver, a carga da sessão anterior foi alta demais e precisa ser reduzida.

Tendinite pode romper o tendão?

Um tendão com degeneração avançada tem risco maior de ruptura, mas isso é minoria. Fortalecer, dentro de um programa orientado, reduz esse risco. Repetidas infiltrações de corticoide no mesmo local, ao contrário, aumentam a preocupação.

Qual a diferença entre tendinite e bursite?

A tendinite afeta o tendão e a bursite afeta a bolsa que amortece a articulação. No ombro e no quadril as duas convivem com frequência, porque a bolsa fica bem ao lado do tendão e se irrita junto. O exame físico separa uma da outra.

Onde tratar tendinopatia em Goiânia

Dor no tendão que já passou de três meses raramente melhora com mais repouso. O Dr. Pedro Paulo Prudente atende tendinopatias no consultório do Setor Bueno, com residência em Medicina do Exercício e do Esporte pela UNIFESP-EPM. Veja também como é o tratamento da dor crônica no ombro, o local mais frequente desse tipo de quadro, ou conheça as lesões de sobrecarga em corredores no artigo sobre dor na canela.

Dr. Pedro Paulo Prudente, médico da dor em Goiânia
Revisão médica Dr. Pedro Paulo Prudente

CRM-GO 12744. Médico da dor em Goiânia, com residência em Medicina do Exercício e Esporte pela UNIFESP-EPM, título de especialista em Acupuntura e pós-graduação em Atuação em Dor. Integra a Câmara Técnica de Acupuntura do CREMEGO.

Primeira consulta

Ler ajuda, mas só a avaliação define a conduta

Se a dor já dura mais de três meses e nenhum tratamento resolveu, vale investigar o que está mantendo esse quadro. O consultório atende de segunda a sexta, das 8h às 18h.

Revisão do conteúdo: , pelo Dr. Pedro Paulo Prudente, CRM-GO 12744.

Aviso ao leitor: este texto tem finalidade informativa e segue o Código de Ética Médica e a Resolução CFM 1.974/2011. Se você convive com dor, nada do que está descrito aqui serve como diagnóstico ou como orientação de tratamento para o seu caso. Só uma avaliação clínica presencial define a conduta certa.

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