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Dores Crônicas

Canelite: por que dói a canela e quando tratar

A dor some no aquecimento e volta no fim do treino, e é justamente esse padrão que diz o que fazer.

Publicado em Leitura6 minutos Revisão médicaDr. Pedro Paulo Prudente, CRM-GO 12744
Pernas de corredor em treino no asfalto, com a região da canela em destaque

Canelite é a dor que aparece ao longo da borda interna da tíbia, o osso da canela, durante ou logo depois da corrida. O nome técnico é síndrome do estresse tibial medial, e a causa quase nunca é o osso em si: é a sobrecarga repetida do tecido preso a ele, quase sempre depois de um aumento rápido de treino.

O que é canelite

A canela dói porque a tíbia recebe carga em excesso e o tecido que a envolve, o periósteo, junto com os músculos que se inserem nele, reage a essa sobrecarga. A dor é difusa: ao passar o dedo pela borda interna da perna, ela aparece em uma faixa de cinco centímetros ou mais, e não em um ponto único.

O quadro é típico de quem corre, mas não é exclusividade de corredor. Aparece também em quem joga futebol, faz saltos, dança, treina em quadra, ou ficou muito tempo parado e voltou a treinar no ritmo de antes.

Por que a canela começa a doer

Na maioria dos casos existe um erro de carga por trás. Os gatilhos mais comuns são:

  • Aumento rápido de volume. Subir mais de 10% na quilometragem semanal é o motivo mais frequente de todos.
  • Troca de superfície. Sair da esteira ou da grama para o asfalto muda o impacto a cada passada.
  • Tênis gasto ou inadequado. Um calçado no fim da vida útil amortece muito menos do que parece.
  • Panturrilha e quadril fracos. Quando esses músculos não absorvem o impacto, a tíbia absorve.
  • Mecânica de corrida. Passada muito longa com cadência baixa aumenta a carga sobre a perna.

Fatores individuais também pesam. Pé plano ou muito cavo, rotação do quadril, diferença de comprimento entre as pernas e histórico de canelite anterior aumentam a chance de o quadro voltar.

Como reconhecer a canelite

O padrão clássico tem uma sequência que se repete:

  1. A dor aparece no começo do treino, melhora depois de alguns minutos e volta no fim.
  2. Com o tempo, ela passa a durar o treino inteiro.
  3. Na fase avançada, incomoda ao caminhar e até em repouso.

Ao apalpar, a região dolorida é uma faixa longa na parte de dentro da perna, entre o meio da tíbia e o tornozelo. Pode haver leve inchaço local, mas raramente há vermelhidão ou calor.

Canelite ou fratura por estresse?

Essa é a distinção que mais importa, porque a conduta muda por completo. A fratura por estresse é uma trinca no osso e exige afastamento do impacto; insistir no treino piora o quadro.

Diferenças entre canelite, fratura por estresse e síndrome compartimental
Sinal Canelite Fratura por estresse Síndrome compartimental
Onde dói Faixa de 5 cm ou mais Ponto único, bem localizado Toda a musculatura, com sensação de aperto
Quando dói Melhora no aquecimento e volta no fim Piora progressiva, dói até parado Sempre no mesmo tempo de corrida
Alívio ao parar Lento, ao longo de dias Lento, exige afastamento Rápido, em poucos minutos
Sinal de alerta Dor que passa a incomodar ao caminhar Dor noturna e dor ao pular em um pé só Formigamento ou perda de força no pé

Dor que acorda à noite, dor concentrada num ponto do tamanho de uma moeda e dor ao saltar com uma perna só pedem avaliação antes de qualquer tentativa de tratamento caseiro.

O que fazer nos primeiros dias

Nas duas primeiras semanas o objetivo é tirar a carga que causou o problema sem parar de se movimentar:

  • Reduzir volume e impacto sem necessariamente parar. Bicicleta, natação e corrida na água mantêm o condicionamento.
  • Aplicar gelo local por cerca de 15 minutos depois da atividade, se houver desconforto.
  • Trocar o tênis se ele já passou dos 600 a 800 quilômetros.
  • Fortalecer panturrilha, tibial posterior e glúteos, que são os amortecedores naturais da perna.

Anti-inflamatório por conta própria tende a mascarar o sinal sem resolver a causa, e é justamente esse sinal que permite ajustar a carga com segurança.

Quando a canelite deixa de ser passageira

Se a dor persiste depois de três a quatro semanas de carga reduzida, o quadro mudou de natureza. Já não se trata apenas de sobrecarga recente: existe um processo de remodelamento no osso e no tecido em volta, e ele responde mal ao repouso isolado. É o mesmo mecanismo que faz uma tendinopatia crônica não passar sozinha.

Nesse ponto, o tratamento precisa estimular o tecido a se reorganizar, e não apenas poupá-lo.

Como a canelite é tratada

O tratamento tem duas frentes que caminham juntas.

Correção da carga

Sem revisar treino, calçado, superfície e força muscular, a dor volta. Essa parte é obrigatória e vale para qualquer método que se use.

Tratamento da dor que já se instalou

Quando o quadro é crônico, a terapia por ondas de choque é uma das opções com melhor respaldo na literatura para a síndrome do estresse tibial medial. As ondas acústicas estimulam a circulação local e o processo de reparo do tecido, e o protocolo costuma ser de três a cinco sessões semanais, sempre associado ao trabalho de força.

A acupuntura médica e o agulhamento dos pontos-gatilho da panturrilha também ajudam quando há muita tensão muscular associada, mecanismo parecido com o que se observa no tratamento de dor crônica na perna.

Como voltar a correr sem repetir o problema

A volta é gradual e guiada pela dor, não pelo calendário:

  1. Retomar com metade do volume anterior, em superfície mais macia.
  2. Aumentar no máximo 10% por semana.
  3. Aceitar desconforto leve durante a corrida, desde que ele suma em 24 horas.
  4. Manter o fortalecimento de panturrilha e quadril como rotina fixa, e não como fase de tratamento.
  5. Aumentar levemente a cadência da passada, o que reduz o impacto a cada passo.

Perguntas frequentes sobre canelite

Quanto tempo demora para a canelite passar?

Quando a carga é corrigida logo no início, a dor costuma ceder em duas a seis semanas. Casos que já duram meses respondem mais devagar e em geral exigem tratamento ativo, não apenas repouso.

Posso continuar correndo com canelite?

Com dor leve que some após o treino, é possível manter uma carga reduzida. Se a dor aumenta ao longo da corrida, permanece ao caminhar ou aparece à noite, o impacto precisa ser suspenso e o quadro investigado.

Canelite aparece em quem não corre?

Sim. Ela é comum em esportes com salto e mudança de direção, na dança, em militares durante treinamento e em quem retomou atividade física depois de um período longo de inatividade.

Qual médico procurar para canelite?

O médico do exercício e do esporte e o ortopedista são os profissionais que avaliam o quadro. Quando a dor já passou de três meses, um médico especialista em dor crônica agrega, porque o problema deixa de ser apenas mecânico.

Palmilha resolve canelite?

A palmilha ajuda quando existe um desalinhamento claro do pé que aumenta a carga sobre a tíbia. Ela é um apoio, não um tratamento isolado: sem ajuste de treino e ganho de força, a dor tende a voltar.

Onde tratar canelite em Goiânia

O Dr. Pedro Paulo Prudente tem residência em Medicina do Exercício e do Esporte pela UNIFESP-EPM e atende lesões de sobrecarga em corredores no consultório do Setor Bueno. Se a dor na canela já dura mais de três meses ou volta toda vez que você retoma o treino, vale entender o que está mantendo o quadro antes de tentar de novo. Conheça o tratamento de dor em Goiânia ou veja todos os procedimentos para dor disponíveis no consultório.

Dr. Pedro Paulo Prudente, médico da dor em Goiânia
Revisão médica Dr. Pedro Paulo Prudente

CRM-GO 12744. Médico da dor em Goiânia, com residência em Medicina do Exercício e Esporte pela UNIFESP-EPM, título de especialista em Acupuntura e pós-graduação em Atuação em Dor. Integra a Câmara Técnica de Acupuntura do CREMEGO.

Primeira consulta

Ler ajuda, mas só a avaliação define a conduta

Se a dor já dura mais de três meses e nenhum tratamento resolveu, vale investigar o que está mantendo esse quadro. O consultório atende de segunda a sexta, das 8h às 18h.

Revisão do conteúdo: , pelo Dr. Pedro Paulo Prudente, CRM-GO 12744.

Aviso ao leitor: este texto tem finalidade informativa e segue o Código de Ética Médica e a Resolução CFM 1.974/2011. Se você convive com dor, nada do que está descrito aqui serve como diagnóstico ou como orientação de tratamento para o seu caso. Só uma avaliação clínica presencial define a conduta certa.

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