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Dores Crônicas

Bursite: onde aparece, por que dói e como tratar

Deitar sobre o lado dolorido e não conseguir dormir é o sinal que mais aparece na consulta.

Publicado em Leitura6 minutos Revisão médicaDr. Pedro Paulo Prudente, CRM-GO 12744
Médico examinando a articulação do ombro de um paciente sentado no consultório

Bursite é a inflamação da bursa, uma bolsa fina cheia de líquido que fica entre o osso e os tecidos que deslizam sobre ele. Sua função é reduzir o atrito. Quando ela se irrita, o movimento que antes era silencioso passa a doer, e a dor costuma piorar justamente quando a pessoa se deita sobre o lado afetado.

Onde a bursite costuma aparecer

O corpo tem mais de 140 bursas, mas algumas concentram quase todos os casos:

  • Ombro. Bursa subacromial, a mais comum de todas. Dói ao levantar o braço acima da cabeça.
  • Quadril. Bursa trocantérica, na lateral do quadril. Dói ao deitar de lado e ao subir escada.
  • Cotovelo. Bursa do olécrano. Forma um inchaço visível na ponta do cotovelo.
  • Joelho. Bursa pré-patelar, clássica em quem trabalha ajoelhado, e a da pata de ganso, na parte interna.
  • Calcanhar. Bursa retrocalcânea, atrás do tendão de Aquiles.
  • Nádega. Bursa isquiática, em quem passa muitas horas sentado em superfície dura.

Por que a bursa inflama

Quase sempre por atrito repetido. Os gatilhos mais frequentes são movimento repetitivo acima da cabeça, apoio prolongado sobre a região, aumento súbito de atividade, trauma direto e alterações de postura ou de alinhamento que fazem um tendão raspar na bolsa a cada movimento.

Existe também a bursite infecciosa, mais comum no cotovelo e no joelho, que entra por uma lesão da pele. Ela é minoria, mas é urgência, e a próxima seção explica como reconhecê-la.

Sinais que exigem avaliação rápida

Procure atendimento sem esperar se houver vermelhidão intensa, calor local evidente, febre, mal-estar, aumento rápido do inchaço ou uma ferida próxima à articulação. Esses sinais sugerem infecção da bursa, que precisa de conduta diferente e não pode ser tratada apenas com repouso e gelo.

Uma confusão frequente: a bursite do quadril

Vale um parágrafo à parte porque afeta muita gente. A dor na lateral do quadril foi chamada de bursite trocantérica durante anos. Estudos de imagem mostraram que, na maioria dos casos, a bursa está apenas discretamente irritada e o problema real está nos tendões dos glúteos, que se inserem ali ao lado. Hoje o quadro é chamado de síndrome dolorosa do trocânter maior.

A diferença é prática, não acadêmica: se a origem é tendínea, o tratamento central passa a ser o fortalecimento progressivo do glúteo, e não a infiltração da bolsa. É o mesmo raciocínio descrito no artigo sobre tendinopatia crônica.

Como reconhecer a bursite

Sinais que ajudam a distinguir bursite de outras causas de dor articular
Sinal Sugere bursite Sugere outra causa
Dor ao deitar sobre o lado Muito característica, atrapalha o sono Costuma não mudar na artrose
Local da dor Superficial, a pessoa aponta com o dedo Profunda e difusa no desgaste articular
Inchaço Visível no cotovelo e no joelho Ausente na maioria das tendinopatias
Movimento passivo Dói quando a bolsa é comprimida Dói contra resistência quando é tendão
Rigidez pela manhã Curta, alguns minutos Prolongada nas doenças inflamatórias

No ombro, a bursite quase nunca vem sozinha: ela costuma acompanhar uma sobrecarga do manguito rotador, e as duas coisas se tratam juntas. O tratamento da dor crônica no ombro segue essa lógica combinada.

Como a bursite é tratada

Fase inicial

  • Tirar o gesto que provoca o atrito, sem imobilizar a articulação.
  • Gelo local nos primeiros dias, se houver inchaço.
  • Ajustar a posição de dormir. No quadril, um travesseiro entre os joelhos costuma resolver boa parte do desconforto noturno.
  • Analgésico ou anti-inflamatório, quando prescrito e por período curto.

Recuperar a função

Assim que a dor permite, entra a parte que evita a recidiva: fortalecer a musculatura que estabiliza a articulação e corrigir o movimento que causava o atrito. Sem isso, a bursite volta assim que a atividade é retomada, e é por esse motivo que muita gente convive com episódios repetidos por anos.

Quando a dor persiste

Em quadros que não cedem, a aspiração do líquido e a infiltração local podem ser indicadas, sempre com critério e associadas à reabilitação. A acupuntura médica e o agulhamento dos pontos-gatilho ajudam quando existe muita tensão muscular em volta mantendo a compressão da bolsa, situação frequente no ombro e na região da escápula.

Como dormir quando a bursite dói à noite

A dor noturna é o que mais leva a pessoa ao consultório, porque é o sintoma que rouba o sono. Alguns ajustes resolvem boa parte:

  • Bursite do quadril. Deitar do lado que não dói, com um travesseiro entre os joelhos para o quadril de cima não cair para dentro. Quem só consegue dormir de barriga para cima pode colocar um apoio sob os joelhos.
  • Bursite do ombro. Deitar do lado oposto abraçando um travesseiro, o que mantém o braço apoiado à frente do corpo em vez de pendurado.
  • Colchão muito firme aumenta a pressão sobre o trocânter e sobre o ombro. Um pad de espuma sobre ele costuma ser mais barato e mais eficaz que trocar o colchão.

Se depois de duas a três semanas de ajuste a dor noturna continuar igual, vale reavaliar: dor que não muda com nenhuma posição costuma ter outro componente além da bolsa.

Perguntas frequentes sobre bursite

Quanto tempo dura uma bursite?

Um episódio agudo costuma melhorar em duas a seis semanas quando o gesto que causou o atrito é ajustado. Casos que se arrastam por meses geralmente têm um componente tendíneo ou um problema de movimento que não foi corrigido.

Bursite tem cura ou sempre volta?

O episódio se resolve. A recidiva acontece quando a causa mecânica permanece, seja um movimento repetitivo do trabalho, seja fraqueza da musculatura estabilizadora. Tratar apenas a dor e não a causa é o que faz o quadro parecer eterno.

Pode fazer exercício com bursite?

Pode e deve, escolhendo o movimento certo. No ombro, evita-se por um tempo o trabalho acima da cabeça, mantendo o restante. Parar tudo enfraquece a musculatura que protege a articulação e prolonga o problema.

Bursite aparece em exame?

O ultrassom mostra bem o líquido dentro da bolsa. Só que bursas discretamente aumentadas aparecem também em pessoas sem dor, então o exame confirma o achado, e não a causa da queixa. O exame físico continua sendo o que define a conduta.

Qual médico procurar para bursite?

O ortopedista e o médico do exercício e do esporte avaliam o quadro. Quando a dor já passou de três meses ou os episódios se repetem, um médico especialista em dor ajuda a entender o que mantém o ciclo além da bolsa em si.

Onde tratar bursite em Goiânia

Bursite que volta toda vez que você retoma a atividade tem uma causa mecânica ainda em pé. O Dr. Pedro Paulo Prudente avalia esses quadros no consultório do Setor Bueno e define a conduta a partir do exame físico. Veja também o artigo sobre causas da dor na escápula, região onde a bursite do ombro costuma se manifestar, ou conheça o tratamento de dor em Goiânia oferecido no consultório.

Dr. Pedro Paulo Prudente, médico da dor em Goiânia
Revisão médica Dr. Pedro Paulo Prudente

CRM-GO 12744. Médico da dor em Goiânia, com residência em Medicina do Exercício e Esporte pela UNIFESP-EPM, título de especialista em Acupuntura e pós-graduação em Atuação em Dor. Integra a Câmara Técnica de Acupuntura do CREMEGO.

Primeira consulta

Ler ajuda, mas só a avaliação define a conduta

Se a dor já dura mais de três meses e nenhum tratamento resolveu, vale investigar o que está mantendo esse quadro. O consultório atende de segunda a sexta, das 8h às 18h.

Revisão do conteúdo: , pelo Dr. Pedro Paulo Prudente, CRM-GO 12744.

Aviso ao leitor: este texto tem finalidade informativa e segue o Código de Ética Médica e a Resolução CFM 1.974/2011. Se você convive com dor, nada do que está descrito aqui serve como diagnóstico ou como orientação de tratamento para o seu caso. Só uma avaliação clínica presencial define a conduta certa.

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