Costocondrite: sintomas, causas e como tratar
A dor no peito que piora ao apertar o local raramente vem do coração, e esse é o primeiro teste.
Costocondrite é a inflamação da cartilagem que liga as costelas ao osso do meio do peito, o esterno. Ela provoca dor na parede torácica que piora ao respirar fundo, ao tossir e, principalmente, ao apertar o ponto dolorido com o dedo. É uma causa comum de dor no peito e não tem relação com o coração.
O que é costocondrite
Cada costela se conecta ao esterno por um pedaço de cartilagem. Quando essa junção fica irritada, o movimento normal da respiração passa a doer. A dor costuma se concentrar entre a segunda e a quinta costela, do lado esquerdo com mais frequência, o que ajuda a explicar por que tanta gente pensa em problema cardíaco.
Existe uma variante chamada síndrome de Tietze, em que além da dor aparece um inchaço visível sobre a articulação. É menos comum e costuma afetar uma única costela.
Costocondrite é ansiedade?
Não. A costocondrite é um problema físico da parede do tórax, com dor que se reproduz ao toque. O que a ansiedade faz é outra coisa, e vale entender a diferença porque ela aparece muito na consulta.
Quem tem dor no peito costuma ficar tenso, respirar de forma mais curta e alta, e contrair a musculatura intercostal e do pescoço. Essa tensão aumenta a carga sobre as mesmas articulações que já estão irritadas, e a dor piora. Ou seja: a ansiedade não causa a costocondrite, mas alimenta o ciclo que a mantém.
O contrário também acontece. Uma dor no peito que ninguém explicou gera medo, e o medo gera mais tensão. Receber um diagnóstico claro costuma ser, por si só, parte do tratamento.
Como diferenciar da dor cardíaca
Essa é a dúvida que traz a maioria das pessoas. Existem padrões que ajudam, mas nenhum deles substitui uma avaliação médica quando a dor é nova.
| Característica | Costocondrite | Dor cardíaca |
|---|---|---|
| Tipo de dor | Pontada ou fisgada, bem localizada | Aperto ou peso, difuso, difícil de apontar |
| Ao apertar o local | Reproduz exatamente a dor | Não muda nada |
| Ao respirar fundo | Piora | Em geral não muda |
| Com esforço físico | Depende do movimento do tronco, não do esforço | Piora com esforço e alivia com repouso |
| Sintomas junto | Nenhum, em geral | Suor frio, náusea, falta de ar, dor no braço ou na mandíbula |
| Duração | Semanas, com altos e baixos | Minutos, em crises |
Quando procurar atendimento de urgência
Independentemente do que a tabela sugira, procure um pronto-socorro se a dor no peito vier acompanhada de suor frio, náusea, falta de ar, desmaio, palpitação forte, dor que irradia para o braço esquerdo, o pescoço ou a mandíbula, ou se aparecer durante esforço físico. Vale o mesmo para quem tem pressão alta, diabetes, colesterol alto, é fumante ou tem histórico de infarto na família.
O que causa a costocondrite
Nem sempre existe um gatilho identificável, mas os mais comuns são:
- Esforço repetido do tronco. Levantar peso, mudança de casa, treino novo de supino ou barra.
- Tosse prolongada. Uma virose ou crise alérgica com semanas de tosse sobrecarrega a parede do tórax.
- Trauma direto. Pancada, queda ou acidente de trânsito.
- Postura mantida. Horas em posição fechada, com ombros à frente, encurtam a musculatura peitoral.
- Doenças reumáticas. Menos frequente, mas possível em quadros inflamatórios sistêmicos.
Como a costocondrite é tratada
Na maior parte dos casos o quadro é autolimitado: melhora sozinho em algumas semanas a poucos meses. O tratamento serve para encurtar esse tempo e tornar o período suportável.
Primeiras semanas
- Reduzir o que provoca a dor: pegar peso, empurrar, exercícios de peito e de ombro.
- Calor local, que costuma funcionar melhor que gelo nessa região.
- Analgésico ou anti-inflamatório, quando indicado pelo médico e por tempo curto.
- Reeducar a respiração. Respirar pelo diafragma, e não pela parte alta do tórax, tira carga das articulações irritadas.
Quando a dor não cede
Se depois de seis a oito semanas a dor continua, o quadro deixa de ser apenas local. É comum que a essa altura já existam pontos-gatilho na musculatura intercostal e peitoral, mantendo a dor mesmo com a cartilagem já recuperada. Esse é o mesmo mecanismo descrito no artigo sobre dor na costela.
Nessa fase entram recursos que agem sobre a musculatura e sobre o processamento da dor: acupuntura para dor crônica, agulhamento dos pontos-gatilho e, em casos selecionados, infiltração local do ponto doloroso. A escolha depende do exame, não do tempo de queixa.
Perguntas frequentes sobre costocondrite
Qual médico procurar para costocondrite?
Na dor no peito recente, o primeiro passo é afastar causa cardíaca, o que se faz no pronto-socorro ou com o clínico geral. Confirmado que a origem é a parede do tórax, o acompanhamento fica com o ortopedista ou com um especialista em dor crônica, sobretudo se o quadro já dura meses.
Quanto tempo dura uma costocondrite?
A maioria dos casos melhora em quatro a doze semanas. Uma parte menor persiste por vários meses, geralmente quando a carga que provocou o quadro não foi ajustada ou quando existe tensão muscular associada mantendo a dor.
Qual remédio é usado para costocondrite?
Analgésicos e anti-inflamatórios são os mais usados, sempre com prescrição e por período curto. Relaxante muscular pode ajudar quando há muita contratura associada. Nenhuma medicação trata a causa: ela alivia enquanto a cartilagem se recupera.
Costocondrite aparece em exame de imagem?
Em geral não. O diagnóstico é clínico, feito pelo exame físico que reproduz a dor ao apertar a junção da costela. Exames como raio X e tomografia servem para afastar outras causas, não para confirmar a costocondrite.
Posso treinar com costocondrite?
Sim, evitando o que reproduz a dor. Membros inferiores, caminhada e bicicleta costumam ser bem tolerados. Supino, crucifixo, flexão de braço, barra e qualquer movimento que estenda o peito devem esperar a fase aguda passar.
Costocondrite pode virar crônica?
Pode. Quando a dor passa de três meses, o sistema nervoso muitas vezes já mantém o sinal mesmo com a inflamação resolvida, um mecanismo parecido com o que ocorre na dor neuropática. Nesses casos o tratamento muda de foco.
Onde tratar costocondrite em Goiânia
Dor no peito que já foi investigada, deu tudo normal no coração e mesmo assim continua incomodando é um dos motivos mais frequentes de consulta. O Dr. Pedro Paulo Prudente atende esse tipo de quadro no consultório do Setor Bueno, com acupuntura médica, agulhamento e demais recursos de clínica de tratamento da dor em Goiânia.
CRM-GO 12744. Médico da dor em Goiânia, com residência em Medicina do Exercício e Esporte pela UNIFESP-EPM, título de especialista em Acupuntura e pós-graduação em Atuação em Dor. Integra a Câmara Técnica de Acupuntura do CREMEGO.


